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Onde Investir pelos próximos 20 anos?! (Parte 1)

Você procura ganhar dinheiro no curto prazo, pelos próximos 12 meses?

Se sim, este artigo lhe será pouco eficiente.

Agora, se seu horizonte de investimentos é realmente de longo prazo, acima de 10 anos, as próximas palavras vão resolver seu “onde-coloco-meu-dinheiro” pelas próximas décadas: PREVIDÊNCIA PRIVADA.

Durante muito tempo no mercado fui avesso à ideia de investir-se em previdência. Essa era a posição correta a se assumir em um mercado que oferecia produtos ruins, com altíssimas taxas de administração e com a ultrajante taxa de carregamento. Ultimamente o mercado de previdência sofreu uma transformação radical, passando da pior das escolhas para a melhor delas, facilitando e trazendo vantagens para a vida do investidor.

A mudança principal deu-se no momento em que as melhores gestoras do país voltaram os olhos para este mercado gigantesco e aliaram as vantagens tributárias da previdência, taxas de administração coerentes com a gestão oferecida e excelentes rentabilidades.

Há uma centena de artigos na internet sobre quando escolher um PGBL (Plano Gerador Benefício Livre) ou um VGBL (Vida Gerador Benefício Livre). Essa não é minha intenção. Resolvido isso, vamos ao principal:

Meu plano é um PGBL, terei a possibilidade de reduzir minha base de tributação em 12%, mas será que se eu investir o dinheiro diretamente no mercado meu rendimento não seria melhor?

Resposta: Não! Vamos imaginar a situação do Sr Ataídes, profissional autônomo cuja renda é de 10 mil por mês e pretende fazer investimentos para sua aposentadoria, ou seja, tem um horizonte de investimentos de longo prazo (mais que 10 anos). Para os cálculos vamos assumir um CDI de longo prazo de 9,0% ao ano e que o retorno da previdência escolhida seja de 95% do CDI, enquanto que investindo diretamente no mercado nosso investidor teria uma rentabilidade de 110% do CDI.

Como a renda tributável dele é de 120.000 ao ano, ele deverá investir R$ 14.400,00 relativo aos 12% para aproveitar o máximo do benefício tributário. Se ele investir esse valor no mercado ele acabará com um montante maior do que na previdência após 10 anos – já que assumimos uma rentabilidade maior para o mercado – e pagará imposto de renda de 15% do rendimento, resultando em um montante líquido de aproximadamente R$ 31.600.

Agora, se ele fez a opção de aplicar os mesmos R$ 14.400,00 em um PGBL, sua base de tributação diminui neste mesmo valor e ele acabará economizando R$ 3.960,00 naquele ano, que corresponde a 27,5% de 14.400,00. Após 10 anos ele terá um montante menor na previdência (novamente, assumindo 95% do CDI para a rentabilidade da previdência contra 110% do mercado) e pagará 10% de imposto de renda do total (vide tabela regressiva de imposto de renda). Entretanto, nosso astuto investidor pegou os R$ 3.960,00 que economizou e reinvestiu no mercado (ou em um VGBL) e, portanto, acabou com um montante maior no final, já que se ele tivesse escolhido um investimento diferente do PGBL não teria essa possibilidade. Perceba que a Ideia final não é economizar dinheiro, visto que a economia feita foi reinvestida, mas terminar com mais dinheiro no final e consequentemente uma maior renda.

Veja que o raciocínio se resume em:

1) mudar uma alíquota de imposto de 27,5% para 10,0%;

2) adiar o pagamento do imposto ao máximo, aproveitando o efeito dos juros compostos sobre aquele dinheiro.

O resultado em apenas 1 ano utilizando-se do benefício da maneira adequada, após 10 anos, seria de um montante 15% líquido maior e uma rentabilidade líquida de 26% maior a favor do PGBL!!! Ganho conseguido apenas fazendo as coisas da maneira correta e escolhendo-se um fundo razoável.

A cereja do bolo, entretanto, ainda está por vir. Há hoje no mercado fundos de previdência das melhores gestoras do país e não há porque pensar que sua rentabilidade em um fundo de previdência será menor do que em uma carteira de investimentos “não-previdenciária”.

Dito isto, vamos refazer a contas para nosso amigo Ataídes assumindo-se que ambas rentabilidades serão de 110% do CDI. Chegaríamos a conclusão que o montante líquido após 10 anos para o primeiro ano da estratégia foi de 26% maior para o PGBL e uma diferença de rentabilidade (assumindo-se o valor investido de 12% da renda) de estonteantes 46%.

Digo mais, essa diferença se repetirá ano a ano até que se chegue ao grato momento de se aproveitar dos valores acumulados. Qual seria o valor após anos seguidos utilizando-se dessa estratégia? Feitos os cálculos chegamos aos valores de um montante financeiro de 24% a mais após 20 anos e 29% a mais após 30 anos!! Em valores isso significaria 200.000 reais líquidos após 20 anos e pouco mais de 650.000 reais líquidos após 30 anos (valores não deflacionados).

Contra números é extremamente difícil de se argumentar.

Um bom fundo de previdência – usado da maneira correta – é, portanto, para o investidor que tem renda tributável, o melhor investimento pelos próximos 20 ou 30 anos. Além de ser extremamente simples (você pode fazer via débito automático) isso lhe trará mais dinheiro no final da sua trajetória de investimentos e maior tranquilidade financeira.

Outro ponto a favor da previdência é a possibilidade da mudança entre fundos (ou entre instituições financeiras) sem resgatar o dinheiro e, desta maneira, adiando o pagamento do imposto de renda. Esta característica traz uma vantagem estratégica enorme possibilitando uma movimentação sem custos no caso de uma mudança do cenário econômico ou mesmo da qualidade na gestão do fundo escolhido.

Como último argumento – e não menos importante – escolher um bom investimento e fazer aportes via débito automático vai lhe salvar uma quantia enorme da mais valiosa commoditie: tempo. Você não precisará gastar horas e horas estudando investimentos, fazendo contas, conversando com inquilinos, corretores etc. Gaste algum tempo para escolher, mais algumas horas por ano para avaliar – não mais que isso – e seja feliz.

Se você não tem renda tributável aguarde que trataremos também do VGBL em um próximo artigo.

Para ler a segunda parte do artigo CLIQUE AQUI

Autor: Thiago Edirley

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Thiago Nemézio 06 de dezembro de 2017 AposentadoriaCDIPGBLPrevidênciaSem categoriaVGBL

Artigo por

Nasci em Goiânia, no final do século XX, precisamente no ano de 1986. Acostumado a brincar nas ruas do bairro Cidade Jardim, considero-me afortunado pela infância e adolescência que tive. Apesar de ávido espectador, sempre fui péssimo em futebol, o que não é muito agradável de se aceitar em nosso país. Em contrapartida, aprendi a gostar de literatura, filosofia, matemática e ciência muito cedo. Apaixonei-me pela arte de aprender: sou capaz de ler sobre buracos negros pela manhã e dormir ouvindo uma palestra sobre a formação do estado de Israel (por diversão). Sou ateu convicto, mas não militante, simplesmente pelo fato de acreditar que o ônus da prova incumbe ao autor da afirmação. Apaixonado por jogos de cartas e xadrez, fiel aos amigos, família e princípios. Graduei-me em química e, rapidamente, entediado, tornei-me servidor público. Após algum tempo de aprendizado autodidata, fui arrebatado pelo mercado financeiro, o que me levou a abandonar a função pública. Encontrei no mercado uma profissão que me permite usar toda a pluralidade de informações que havia adquirido para prestar um serviço de qualidade, sempre visando a transparência e a ética e, por isso, mantenho-me apaixonado pelo que faço. Tenho o poema de Robert Frost (The Road Not Taken) em mente sempre que preciso tomar uma grande decisão: “dois caminhos se separaram em um bosque e eu escolhi o menos percorrido, e isso fez toda a diferença...”

9 Comentários

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    Parabéns pelo artigo, Thiago! Venho adotando esta estratégia há alguns anos de forma intuitiva. Foi reconfortante ler seu artigo. Meus primeiros depósitos completaram 10 anos, entrando na alíquota mínima de 10%. Fico pensando se nos anos vindouros, para obter o percentual máximo de dedução fiscal (até 12% da renda bruta), não valeria resgatar uma parte do PGBL, com alíquota mínima de IR, e reinvestir novamente em PGBL. A ideia seria fazer isso apenas para completar o equivalente a 12% da renda anual bruta. Seria uma forma de aliviar a pressão dos aportes ordinários retirados do salário, isso pq tenho dificuldade de poupar 12% da renda bruta anual. Se é que me fez entender, que vc acha desta estratégia. A rigor, eu não reivistiria o valor resgatado, teria sim mais espaço para aumentar os aportes com a minha renda ordinária, a fim de utilizar o benefício máximo da dedução fiscal.

      Olá JP. Fico muito grato que tenha gostado do artigo. A intenção é justamente ajudar a investir melhor. Sobre sua estratégia, não acho que seja interessante pois mesmo sendo a menor alíquota (10%) você ainda estaria antecipando o pagamento de um imposto sobre o valor total da aplicação. Você pagaria 10% de IR sobre o principal para evitar pagar 27,5% sobre o mesmo valor hoje, mas tendo que pagar 10% novamente daqui 10 anos. Teoricamente 7,5 pp de ganho, mas retirando-se o juro composto que você deixa de ganhar no primeiro saque, me parece um trabalho sem uma vantagem clara. Temos que nos preocupar com os grandes movimentos. Deixar de fazer o PGBL tendo possibilidade de fazê-lo é um erro, mas não completar totalmente os 12%, apesar de não ser o ideal, passa a ser um detalhe. O melhor é ajustar seu fluxo de receitas e despesas (que pode ser feito ganhando mais ou gastando menos) para que você possa de forma tranquila aplicar os 12% ta renda tributável. Abraço

    Parabéns pelo seu artigo! Sempre trazendo post de qualidade!

    Muito bom seu artigo, conteúdo valioso que agregou muito ao meu conhecimento. Parabéns!



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