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Onde Investir pelos próximos 20 anos!! Parte 2

Em um artigo recentemente publicado, contei a história do Sr. Ataídes, um profissional que possui uma renda tributável alta e fazia declarações de IR no modelo completo. Sr. Ataídes escolheu, portanto, um PGBL como plano de previdência para acumular seus investimentos de longo prazo.

Se você ainda não leu o artigo sobre a história do Sr. Ataídes, CLIQUE AQUI.

Sr. Ataídes, feliz com o sucesso de sua escolha, conversou com amigos e parentes para que fizessem o mesmo e deparou-se com a situação do Sr Juarez. Esse amigo também possuía uma renda de 120.000 por ano, mas, diferentemente, recebe os rendimentos através de distribuições da empresa que é dono. Desta maneira, não possui renda tributável, já que a empresa de Juarez paga os impostos antes que ele receba seus rendimentos.

A pergunta de 1 milhão de dólares (em alguns casos, literalmente) é: também para o Sr Juarez a previdência privada é o melhor investimento? E a resposta é um categórico “sim”.

No caso do primeiro artigo, vimos que um fundo de previdência PGBL, mesmo com um rendimento razoável, é preferível a um bom fundo não previdenciário, devido às vantagens de diminuição da base tributável. Não podemos dizer o mesmo sobre o VGBL, já que não há base a se diminuir.

O VGBL, entretanto, conta com o benefício de não ser tributado pelo famigerado “come-cotas”, imposto cobrado no Brasil que desconta 15% da rentabilidade do investidor a cada 6 meses, mesmo que não seja efetuado o resgate. Há também no VGBL a possibilidade de tributação pela tabela regressiva de IR. Ou seja, além de não pagar IR no meio do caminho, o investidor conta com a possibilidade de pagar 10% de imposto após 10 anos contra 15% nos fundos não previdenciários.

Veja na tabela abaixo a diferença entre o VGBL e um fundo não previdenciário, após 30 anos, com o CDI a 8% ao ano. Os dados da tabela representam a rentabilidade do fundo não previdenciário que deve ser alcançada para se igualar ao fundo previdenciário.

Rentabilidade VGBL em % do CDI

Assim, fica claro que para aportes cuja finalidade seja aposentadoria ou acumulação de patrimônio com prazos maiores que 10 anos, a previdência é a melhor aplicação, seja ela PGBL ou VGBL.

Além do ganho financeiro já demonstrado, vale a pena lembrar da vantagem tática de poder migrar entre os fundos previdenciários sem ter que pagar impostos ou perder o prazo acumulado no fundo anterior, característica única da previdência. Não podemos menosprezar ainda que a previdência não entra em inventário, o que se torna uma grande vantagem caso algo inesperado aconteça.

O maior ganho, entretanto, para o investidor comum, é a facilidade de aplicação. Aportes em fundos previdenciários podem ser feitos até mesmo via débito automático. Você aproveita de todos os benefícios elencados acima e ainda aplica de uma maneira simples, prática e descomplicada. Seu único trabalho – e para isso você pode contar com a ajuda de um bom assessor de investimentos também –  é escolher os melhores gestores e deixá-los trabalhar a seu favor.

Autor: Thiago Nemézio

 

  • Caso não tenha lido a parte 1, acesse aqui

 

Recomendações:

Thiago Nemézio 03 de janeiro de 2018 Fundo de InvestimentoInvestimentosLHxMercadoPGBL

Artigo por

Nasci em Goiânia, no final do século XX, precisamente no ano de 1986. Acostumado a brincar nas ruas do bairro Cidade Jardim, considero-me afortunado pela infância e adolescência que tive. Apesar de ávido espectador, sempre fui péssimo em futebol, o que não é muito agradável de se aceitar em nosso país. Em contrapartida, aprendi a gostar de literatura, filosofia, matemática e ciência muito cedo. Apaixonei-me pela arte de aprender: sou capaz de ler sobre buracos negros pela manhã e dormir ouvindo uma palestra sobre a formação do estado de Israel (por diversão). Sou ateu convicto, mas não militante, simplesmente pelo fato de acreditar que o ônus da prova incumbe ao autor da afirmação. Apaixonado por jogos de cartas e xadrez, fiel aos amigos, família e princípios. Graduei-me em química e, rapidamente, entediado, tornei-me servidor público. Após algum tempo de aprendizado autodidata, fui arrebatado pelo mercado financeiro, o que me levou a abandonar a função pública. Encontrei no mercado uma profissão que me permite usar toda a pluralidade de informações que havia adquirido para prestar um serviço de qualidade, sempre visando a transparência e a ética e, por isso, mantenho-me apaixonado pelo que faço. Tenho o poema de Robert Frost (The Road Not Taken) em mente sempre que preciso tomar uma grande decisão: “dois caminhos se separaram em um bosque e eu escolhi o menos percorrido, e isso fez toda a diferença...”

3 Comentários

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    Em termos tributários há uma certa vantagem dos fundos previdenciários, mas a performance deixa muito a desejar, sendo muito mais vantajoso aplicar em bons fundos multimercados ou de ações para a aposentadoria. Os fundos de previdência possuem uma série de regras que limitam os ganhos.

      Max, obrigado por seu comentário. Se você tem um VGBL eu diria que a diferença é bem pequena e você pode até ter razão se souber qual fundo renderá mais. Veja que hoje temos bons fundos multimercado na modalidade previdenciária e os gestores tem sido bastante hábeis em buscar retornos apesar das limitações. Só como exemplo temos o Adam, Verde, Kapitalo e talvez SPX. No PGBL, entretanto, a diferença tributária é tão grande que dificilmente os fundos conseguirão rentabilidade suficientemente superior para bater o valor financeiro final. Falei sobre isso no artigo anterior: https://www.superinvestidores.com.br/2017/12/06/onde-investir-pelos-proximos-20-anos-parte-1/



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