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Acumulando Patrimônio em Ações: Value Investing x Growth Investing

Alguns conceitos são tão bons que perduram através de gerações e continuam servindo perfeitamente ao propósito para o qual foram desenvolvidos. A roda é um exemplo e o investimento em empresas com fundamentos, outro. Com o aprimoramento e desenvolvimento da perspectiva técnica (não confundir com análise técnica) da análise de ativos, desenvolveram-se duas linhas de pensamento dentro desta perspectiva: o investimento em valor (value investing) e o investimento em crescimento (growth investing). O investimento em valor concentra-se em empresas grandes e consolidadas no mercado, com taxas de crescimento estável e maior distribuição de dividendos. A oposição a este conceito são as ações de crescimento, que possuem altas taxas de crescimento e distribuição pequena ou inexistente  de dividendos.

Em 1934, David Dodd e Benjamim Graham (professor do badaladíssimo maior investidor vivo, Warren Buffett) escreveram o que mais tarde ficaria conhecido como a fundação do Value Investing, o livro Security Analysis.

Graham e Dodd são verdadeiros marcos dentro do value Investing. Viviam a crença (que permanece muito viva ainda hoje) da maximização dos retornos por meio da manutenção de um portfólio de investimentos por um longo período, e este portfólio deveria ser composto de empresas grandes, bem estabelecidas e com boa perspectiva de geração de caixa. Eles desenvolveram 10 filtros para selecionar ações mecanicamente. O filtro da forma que foi concebido não aceitaria quase empresa alguma listada hoje, tanto no Brasil como lá fora. Então fazemos aqui uma flexibilização tupiniquim nas regras para que possamos aplicar algo semelhante.

Levando-se em conta a realidade brasileira, fazemos uma flexibilização para que possamos aplicar de forma funcional o filtro no mercado brasileiro: L/P maior que 2x o CDI; PL menor que dois quintos do PL médio do mercado; Dividendos maior que 2/3 do retorno do CDI; P/VPA menor que 0.67; preço da ação maior que 2/3 do capital de giro líquido; crescimento do lucro por ação maior que 7% durante os últimos 10 anos; não mais do que dois anos de lucros em declínio de 5% ou mais nos últimos 10 anos.

Quando a abordagem principal são empresas de crescimento, nossa referência principal é Joel Greenblatt. Para quem não o conhece, Joel Greenblatt é um dos investidores de maior sucesso de todos os tempos. À frente da Gotham Capital, ele obteve um excesso de retorno sobre o S&P de 30% ao longo de 20 anos, o que é considerado um resultado excepcional.

 

Em seu famoso livro The Little Book That Beats The Market (algo como “O Pequeno Livro que Vence o Mercado” – em tradução livre), Joel preconiza a “Magic Formula”, que é o resultado da soma de dois rankings: Retorno sobre o Capital (ROIC) = EBIT/ (Capital de Giro Líquido + Ativo Fixo Líquido) e Taxa de Retorno sobre os Lucros = EBIT/Valor de Mercado da empresa, onde as empresas com melhores posições em ambos os rankings recebem maior crédito. Uma flexibilização brasileira poderia ser feita utilizando dois rankings, um usando o ROE da empresa e outro usando o PL. A mudança é aprovada por Greenblatt, diga-se de passagem.

Alguns outros critérios, como não existência de resultados não-recorrente (ou seja, situações pontuais) ou o descarte do setor bancário e de energia elétrica, também são mandatórios no growth investing preconizado por Joel Greenblatt.

Ambas as abordagens venceram o tempo e continuam presentes como estratégias vencedoras para investidores pessoas físicas.

 

Autor: Pedro Paniago

Recomendações:

Pedro Paniago 05 de março de 2018 BancosBitcoinCDICorretorasCréditoFundo de InvestimentoInvestimentosJurosLiquidezPrevidênciaRiscoTaxa Selic

Artigo por

Nascido e criado em Jataí - GO, Engenheiro Agrônomo de formação pela Universidade Federal de Goiás. Fui exposto ao mercado financeiro desde tenra idade, por ter familiares atuantes na bolsa de valores desde a década de 70. Resolvi manter o legado vivo e, há 11 anos, vivo o dia-a-dia do mercado financeiro, tenho experiência em suas mais diversas vertentes. Sou ex-empresário do ramo de projetos para custeio agrícola, mas descobri no mercado financeiro minha verdadeira paixão e, pouco a pouco, fui migrando para o mercado financeiro, processo que se findou quando encontrei a LHx. Hoje sou casado com a mulher da minha vida e pai orgulhoso de um menino. Adepto convicto do Value Investing em ações, acredito que posso fazer a diferença em um país onde apenas uma mínima fração da população consegue a independência financeira. Meu propósito hoje é ajudar as pessoas a investirem melhor, formando uma carteira previdenciária, trazendo cada vez mais tranquilidade financeira para os clientes para que estes possam focar no que é realmente importante na vida, sem preocupações com a estabilidade financeira futura. Tranquilidade financeira é a palavra chave. Frase preferida: "Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar" - Francis Bacon, filósofo inglês. "A melhor coisa que um ser humano pode fazer é ajudar outro ser humano a aprender mais" - Charlie Munger, braço direito de Warren Buffett.

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