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Onde devemos investir com a queda da SELIC?

Saiba como a redução da SELIC pode afetar os seus investimentos e quais produtos buscar com a nova fixação de 5,5% ao ano.

 

Como já deve ser de conhecimento geral, o Comitê do Banco Central (COPOM) anunciou recentemente a redução da meta da SELIC a um patamar de 5,5% ao ano. Tal notícia, para muitos, pode ser de pouca importância ou levar a crer que apenas acarretará impacto para os grandes bancos e investidores. Contudo, é fundamental entender como isso afeta a sua vida e de que forma, você investidor, consegue extrair o melhor do mercado neste novo cenário. Ao final deste artigo, certamente, você já terá conhecimento o suficiente para isso.

Inicialmente, é sempre interessante relembrar os conceitos básicos. A taxa SELIC é a taxa de juros básica da economia. Da mesma forma, a taxa SELIC também atua como o principal instrumento do Banco Central para controle da inflação. Mas o que um aumento ou decréscimo da SELIC significa na prática?

Quando o Banco Central anuncia um aumento da taxa SELIC, por exemplo, consequentemente, os empréstimos, financiamentos e demais operações financeiras também ficam mais caros. Isso acarreta juros maiores e favorece a queda da inflação, visto que o poder de compra das pessoas diminui. Quando, por outro lado, o anunciado é a redução da meta da SELIC, então o impacto disso será menores taxas de juros cobradas e um maior estímulo ao consumo, deixando o mercado mais livre e aquecendo, assim, um pouco mais a economia.

Feitas estas considerações, vamos à seara dos investimentos.

Um dos maiores referenciais que temos quando trabalhamos seja na renda fixa ou no multimercado é o CDI. Caso você não entenda o que é o CDI, nós explicamos seu conceito e sua aplicação prática neste link. O que nos interessa neste artigo é compreender que o CDI, por representar a taxa de depósito interbancário, acaba também demonstrando uma correlação fortíssima com a SELIC. Assim, com a meta da taxa SELIC caindo para 5,5% ao ano, o CDI anual passa a cair também para 5,9%.

Isso significa que, para aquele seu CDB ou Título do Tesouro que lhe paga 100% do CDI de rentabilidade, ao invés de receber 6,34% ao ano, como anteriormente, você passará a receber uma rentabilidade de 5,9% anualmente e, convenhamos, não é lá uma taxa muito atraente.

Assim, dado este cenário, vamos agora ao que pode ser feito nos seus investimentos a fim de diminuir um pouco o impacto na rentabilidade obtida em decorrência dessa redução.

Inicialmente, é de extrema importância ressaltar que não é em razão disso que você deva retirar todo o seu patrimônio alocado na renda fixa e direcioná-lo a alguns dos mercados aqui listados. O ponto principal a ser compreendido nestes momentos é apenas que passa a ser indicado transferir um percentual alocado em um mercado específico que acaba sendo prejudicado, para um outro que, num horizonte de médio ou longo prazo, passa a se apresentar como mais interessante. E o mais indicado, naturalmente, é que se converse primeiro com o seu Assessor de Investimentos ou gerente bancário para que receba o auxílio adequado na implementação dessa mudança, mesmo que se trate de algo que você mesmo também possa fazer.

Vamos agora para as soluções disponíveis no mercado financeiro.

Renda Fixa

Começando para aquele público que de forma alguma se desapega da renda fixa e se enxerga como totalmente conservador, temos uma boa opção no título do Tesouro NTN-B, também conhecido como Tesouro IPCA+.

No geral, quando se aposta numa alta da inflação futura e o que se deseja é preservar o seu poder de compra, principalmente sob a possibilidade de o Banco Central mais uma vez reduzir a projeção da SELIC, aplicar em investimentos que tenham o IPCA como seu indexador é sempre interessante, pois, como falamos anteriormente, quando o anúncio é de queda da SELIC, a expectativa é que haja um maior consumo, e, posteriormente, que a inflação suba.

Sendo assim, visando a preservação do juro real do seu investimento, e até mesmo apostando na alta da inflação no médio e longo prazo, investimentos atrelados à inflação constituem uma boa alternativa, e, especificamente na seara do Tesouro Direto, apostar nos títulos com vencimento no longo prazo como IPCA+ 2035 são uma boa opção, visto que têm apresentado um juro real médio de 3,5%, além do que render o IPCA.

Outra opção bastante atrativa também na renda fixa são os CRAs e CRIs, bem como as LCAs e LCIs.

Para esclarecer, tanto as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), como os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio, são títulos de dívida que se destinam ao financiamento do Agronegócio. As LCIs (Letras de Crédito Imobiliária) e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) são títulos voltados ao financiamento do setor imobiliário. A diferença entre esses títulos são as instituições que emitem a dívida. No caso das Letras de Crédito, as instituições emitentes são os bancos e nos Certificados de Recebíveis, são as Companhias Securitizadoras.

Em ambos os casos, nós conseguimos obter uma excelente rentabilidade atrelada ao IPCA, isentas de Imposto de Renda e, no caso das Letras de Crédito (LCI e LCA), contamos ainda com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), tão valioso para conferir maior segurança aos seus investidores em suas aplicações até o montante de R$ 250 mil por instituição financeira.

Multimercado

Para investidores que estejam um pouco mais propensos a correr risco e fugir da Renda Fixa com este novo patamar de rentabilidade, os Fundos Multimercado se configuram como boa opção para quem deseja buscar um meio termo entre a Renda Fixa e a Renda Variável.

Fundos de Investimento Multimercado são Fundos de Investimento que possuem uma alta flexibilização para escolha da alocação dos seus ativos. Então, não existe uma limitação para composição da sua carteira, e os mesmos têm flexibilidade total para escolha dos seus ativos entre títulos de renda fixa, moeda, ações e commodities, seja no mercado nacional ou internacional.

Dentre a esfera dos Multimercado, existem muitas estratégias diferentes em que eles podem ser classificados. No Brasil, distinguem-se quatro classificações principais, que são: Macro; Long & Short; Quantitativa e Arbitragem.

Convém guardar para um artigo futuro uma melhor explicação sobre o funcionamento de cada uma dessas estratégias, mas o mais interessante a saber, levando-se em consideração o tema aqui comentado, é que se deve procurar escolher o fundo mais compatível com as características do próprio investidor. Como existe um espectro muito grande de abrangência entre os Fundos Multimercado, acabamos por conseguir encontrar fundos com perfis de risco e rentabilidade diametralmente opostas. Desde o Claritas Institucional, por exemplo, fundo com carteira consideravelmente conservadora, até o Dahlia Total Return, por exemplo, fortemente alocado no mercado de ações.

Cabe a cada um buscar, dentre os perfis de Fundos Multimercado disponíveis no mercado, aquele que considera mais compatível ao seu perfil.

 

Renda Variável

Aqui chegamos a um ponto que é considerado como a ‘cereja do bolo’ por muitos brasileiros. Realmente é fato que existe uma tendência de valorização no mercado de ações com a redução da taxa SELIC e aquele investidor que está disposto a buscar opções um pouco mais agressivas pode se dar bem.

A lógica por trás disso é que: com juros mais baixos, principalmente empresas do setor de desenvolvimento e projetos de infraestrutura, bem como empresas varejistas tendem a se favorecer com o refinanciamento das dívidas, bem como com o reaquecimento da economia; além disso, como a rentabilidade paga pelos investimentos indexados ao CDI passa a cair também, para muitos investidores deixa de ser interessante manter seus investimentos alocados na renda fixa e produtos distintos passam a ser demandados.

Obviamente nunca seria recomendado passar a alocar todo o seu patrimônio na renda variável em razão disso. Mas, como já foi falado anteriormente, o que se recomenda é que se passe a alocar um percentual neste segmento visando captar esta valorização, que vai depender necessariamente do seu perfil de investidor e vai permitir que você obtenha um ganho de juro real sobre a sua carteira.

É importante ressaltar também que não necessariamente porque você, investidor, vai ter investimentos alocados na renda variável que terá um alto risco nos investimentos. É possível, dentro do mercado da renda variável, você alocar seu capital tanto em investimentos que podem até mesmo ser considerados conservadores, como extremamente agressivos, tudo vai depender da sua estratégia ao final.

É possível você, seguindo o modelo de investimento de Warren Buffet, comprar ações a longo prazo, esperar pacientemente as ações chegarem a um bom preço de empresas consideradas sólidas por você e praticamente nunca se desfazer dos papéis, estratégia também popularizada como buy and hold. Bem como você pode se aventurar no day trade, ou realizar outras operações alavancadas no mercado futuro, onde é possível obter ganhos extraordinários, mas também realizar perdas extraordinárias e deteriorar boa parte do seu patrimônio se manejado de maneira imprópria, ou se negligenciada a sua gestão do risco.

Mais uma vez, tudo vai depender do seu perfil de investidor, estratégia utilizada e, sobretudo, bastante capacitação e aperfeiçoamento na área em que você vai aplicar, sendo este último em minha visão o fator preponderante que vai fazer você obter sucesso em qualquer esfera do mercado financeiro em que vá atuar.

E, assim, finalizamos mais este artigo destinado a passar a você o conhecimento de produtos possíveis disponíveis no mercado financeiro e que se apresentam como alternativa viável para alocação em tempos de SELIC baixa como o atual, ainda mais sob a sinalização de mais uma redução para 5,5% ao ano nos próximos meses. Espero que tenha sido proveitosa a leitura e qualquer dúvida existente, deixe nos comentários que será de logo respondida.

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Arthur Guedes 26 de setembro de 2019 Taxa Selic

Artigo por

Oriundo de Brasília, mas com boa vivência nas outras regiões tupiniquins. Passei 12 anos da minha vida em Minas Gerais, sendo 9 desses em Uberaba (vulgo “Beraba”, para os íntimos) e 3 em Barbacena; quase 2 anos em Salvador, antiga cidade da Bahia; também passei por cidades marcantes e acolhedoras como Pirassununga, onde fiquei por 1 ano, terra da 51; e Goiânia, por também 1 ano. Parte dessas aventuras se deu pelo meu tempo de militar. Aos 14 anos passei num concurso que me levou para compor as fileiras da EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar) e, após a formação, fui para a AFA (Academia da Força Aérea), onde fui cadete aviador e tive meus tempos de piloto. Porém, já tinha ficado claro para mim que o meu destino não era ser militar e decidi sair. Foi um momento difícil, mas logo depois, em 2016, iniciei meus estudos em Economia na Universidade de Brasília (UnB). Durante o mesmo período, dei início aos meus estudos sobre mercado financeiro e, mesmo que de maneira indireta, já começava a exercer meu trabalho de assessoria de investimentos, ajudando familiares e amigos mais próximos a investir melhor. Por fim, após dois anos atuando no Superior Tribunal Militar (STM), na área da Folha de Pagamentos, decidi oficializar a minha entrada no mercado financeiro e, após ser aprovado em primeira tentativa na prova de admissão para a certificação de Assessor, me juntei à LHx e tenho sido bem feliz, aprendendo coisas novas todos os dias e me realizando profissionalmente.

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